terça-feira, 5 de abril de 2011

Educação

SERVIDORES DA ESCOLA ESTADUAL MONSENHOR CELSO CICCO PARALISAM ATIVIDADES

Os servidores da Escola Estadual Monsenhor Celso Cicco, em Ceará-Mirim, decidiram, no dia 29 de março, paralisar as atividades até que o governo do estado tome providências para resolver a situação precária da escola. A Secretaria Estadual de Educação foi informada da decisão.

A Escola Monsenhor Celso Cicco apresenta graves problemas estruturais. As salas de aula possuem rachaduras e buracos, as janelas e o madeiramento cederam e há um déficit de 150 carteiras. A sala de vídeo e os banheiros estão sem condições de funcionamento. Além disso, a quadra de esportes foi interditada pelo Ministério Público e durante o ano letivo de 2010 os alunos do 6º e 7º anos da manhã não tiveram aulas de matemática por falta de professor.

Como se vê, o descaso com a educação pública também já é uma das marcas do Governo Rosalba (DEM).

Nota

PREFEITO PEIXOTO QUER NEGAR REAJUSTE SALARIAL MAIS UMA VEZ

Na primeira audiência do ano, realizada no dia 29 de março, o prefeito Antonio Peixoto (PR) afirmou mais uma vez que a Prefeitura continua sem dinheiro para conceder qualquer reajuste salarial aos servidores do município. A primeira justificativa é a de que não há recursos. A segunda é a de que a folha de pagamento já ultrapassou o limite prudencial da chamada Lei de Responsabilidade Fiscal. Uma lei que impede melhorias nos salários dos servidores.

Nós, trabalhadores em educação, já conhecemos esta política do prefeito Antonio Peixoto. Será mais um ano de arrocho salarial, sem nenhum direito respeitado, a exemplo das promoções horizontais que nós continuamos esperando desde o ano passado. Esse discurso do prefeito não é convincente, já que no ano passado a mesma desculpa de que não havia dinheiro foi dada em todos os lugares. O resultado final nos doze meses de 2010 mostrou que o município recebeu de repasse dos recursos do Fundo da Educação Básica e Valorização do Magistério (FUNDEB) foi equivalente a R$ 21.587.237,64. Nestes dois primeiros meses de 2011 o repasse aumentou e já soma R$ 4.321.220,86, segundo dados do Tesouro Nacional.

Diante de mais esse teatro que o prefeito faz para desmoralizar os trabalhadores em educação, sem querer nem mesmo respeitar o aumento de 15,85% do Piso Nacional, chamamos todos os servidores da educação para LUTAR. Afinal, será mais um ano cheio de ataques e retirada de direitos. Por isso, o Sinte também convoca os trabalhadores para duas importantes atividades. No dia 8 de abril, às 9 horas, está marcada uma nova audiência com o prefeito, na sede da Prefeitura. E no dia 11 de abril, às 8h30, na E.M. Adele de Oliveira, haverá uma assembleia da categoria. Vamos marcar presença nessas duas lutas.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Nacional

José Alencar: por que não reivindicamos sua biografia?

Faz algum tempo que uma morte não era recebida com tanta reverência como a do ex-vice-presidente José Alencar, falecido nesse dia 29 de março, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Em tempos de reality show, as últimas horas do empresário de 79 anos, há 13 com câncer, foram exaustivamente acompanhadas pela imprensa.

Nos jornais ou na TV, a imagem de José Alencar esteve ao lado de qualidades como “lutador”, “exemplo de vida”, entre tantos outros. Repórteres emocionados elogiavam sua simplicidade mineira, enquanto analistas discutiam o legado do dono do maior complexo de tecelagem do país.

Políticos e personalidades de todos os matizes declararam luto. Até mesmo parte da esquerda lamentou a morte do ex-vice-presidente. Não apenas o lamento justificável da perda de qualquer vida humana, mas reivindicando, politicamente, o empresário. Um dos dirigentes nacionais do MST, João Paulo Rodrigues, afirmou que Alencar foi “um dos poucos bons burgueses”.

O legado de Alencar

Qual o significado de José Alencar para o país? Embora já fosse um grande industrial estabelecido, proprietário de 11 fábricas tecelãs que formam o complexo da Coteminas, Alencar só foi ganhar destaque político nacional pelas mãos de Lula, na eleição que o levou à presidência em 2002.

Embora Lula credite a seu ex-vice o fato de ter ganhado aquelas eleições, a escolha do industrial para compor a chapa para o Planalto foi bem mais simbólica. O desgaste de FHC e do neoliberalismo, assim como o histórico de Lula como líder operário, já colocavam o petista em uma posição de franco favoritismo frente ao então candidato tucano José Serra. Assim, com ou sem Alencar seria muito improvável que o petista não ganhasse.

O empresário mineiro viria, na verdade, para confirmar a escolha programática do PT em favor do capitalismo, da economia de mercado e da manutenção da política econômica levada dos governos anteriores. Seria necessária uma cara para a famigerada “Carta aos brasileiros”. Lula e José Dirceu decidiram que a cara simpática e bonachona de Alencar se encaixaria perfeitamente aí.

Mais do que amealhar votos, a escolha de Alencar era mais uma mensagem ao mercado. Foi então que se conformou a chapa entre o PT e o PL, então partido do empresário, que mais tarde se transformaria no PRB.

O empresário Alencar

Outro fato que teria pesado para a escolha de Alencar para o posto seria a sua biografia, que se assemelharia a de Lula como exemplo de “superação”. De família pobre do interior de Minas, Alencar trabalhou no comércio durante sua juventude. Na década de 1960, constituiu a Companhia de Tecidos Norte de Minas, a Coteminas, que contou com generoso auxílio da Sudene na época, para se expandir.

Foi só na década de 1990 que Alencar passou o comando de seus negócios a um de seus filhos e se lançou na vida política. Até então sua atuação se limitava às associações de classe. Foi eleito senador em chapa com Itamar, de quem se tornaria desafeto mais tarde.

Oficialmente, Alencar teria saído do mundo dos negócios. Mas os negócios não saíram dele. Recentemente, documentos vazados pelo site Wikileaks comprovam a intenção da Coteminas de entrar no Haiti. O país ocupado militarmente pelas tropas da ONU comandadas pelo Brasil se tornou o paraíso das fábricas têxteis, devido à abundante e barata mão-de-obra. De lá, os produtos são exportados principalmente aos EUA. A estabilidade propiciada pelos soldados garante o retorno dos investimentos.

Os documentos, de 2009, mostram como o filho de Alencar, Josué Gomes da Silva, presidente do grupo, teria feito lobby para a empresa se beneficiar da Lei Hope II. A lei Hope (Oportunidade Hemisférica Haitiana) foi estabelecida em 2007 e cria uma zona de livre comércio entre o país caribenho e os EUA. Ou seja, além da mão-de-obra barata, a Coteminas teria caminho livre para exportar aos EUA.

Vale lembrar ainda que, entre 2004 e 2006, o então vice José Alencar acumulou também o posto de ministro da Defesa. Ou seja, foi em seu mandato que o Brasil ocupou a liderança da Minustah, a missão de ocupação militar da ONU no Haiti, iniciada em 2004.

Josué Gomes, porém, não escondia o interesse da Coteminas em aproveitar as condições oferecidas pelo país haitiano. “O Brasil é reconhecido colaborador do processo de resgatar o Haiti. O país tem direito de pleitear um tratamento preferencial”, chegou a dizer em entrevista ao Valor, sobre a reivindicação da empresa se beneficiar da Lei Hope.

Alencar não é um dos nossos

Não se deve negar que a figura de Alencar e seu jeito simples não despertassem simpatia. Grande parte de sua popularidade experimentado em seus últimos momentos de vida, porém, deve-se à enorme popularidade de Lula.

Além disso, a orientação ultra-liberal adotada pelo governo Lula principalmente em seu primeiro mandato, fez parecer que Lula estivesse à direita de Alencar. O empresário, no entanto, fez o que qualquer industrial faria: reclamou dos juros altos. Esteve muito longe de qualquer política que pudesse ser considerada minimamente progressista.

José Alencar mesmo que fosse um empresário “íntegro” e “honesto”, de acordo com a moral burguesa, construiu seu império à custa da exploração dos trabalhadores. O capital acumulado por anos de exploração o possibilitou, em idade já avançada, receber o melhor e mais moderno tratamento contra o câncer. Possibilidade que nenhum de seus funcionários teria.

A esquerda tem por tradição reverenciar os seus mortos. Ou seja, reivindicar a trajetória daqueles que deram suas vidas por um mundo melhor, sem exploração. Alencar, porém, não era um deles. Estava na trincheira oposta da luta de classes. Do lado dos exploradores. Por isso, apesar da comoção nacional insuflada pela mídia, José Alencar não é um de nossos mortos.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Audiência

PREFEITO PEIXOTO SE REÚNE COM SINTE, MAS NÃO GARANTE PAGAMENTO DE SALÁRIOS CORTADOS

No dia 29 de março, o prefeito de Ceará-Mirim, Antônio Peixoto (PR), finalmente decidiu ouvir o sindicato dos trabalhadores da educação. Depois de muita insistência, o Sinte de Ceará-Mirim conseguiu uma audiência para discutir com a Prefeitura diversos problemas da categoria, sendo o principal deles o desconto nos salários dos professores que fizeram greve no ano passado. Além do prefeito e do sindicato, participaram da audiência alguns servidores e a Secretária da Educação, Ângela Aquino.

Sem compromisso

“Não posso dizer que vou pagar ou que não vou pagar, pois precisaria consultar a Promotoria, já que corre uma ação civil pública sobre o caso.”. Foi assim que o prefeito Antônio Peixoto começou sua justificativa para não se comprometer com a responsabilidade do corte nos salários dos trabalhadores. Entretanto, a diretora do sindicato, Ana Célia Siqueira, argumentou que a decisão de descontar os salários dos professores não tinha justificativa legal. “O desconto dos profissionais que fizeram greve não tem amparo jurídico, justamente porque não houve decisão da justiça. Nenhum juiz proferiu sentença. A Promotoria moveu uma ação, mas não existe determinação judicial ordenando o desconto de salário. A Prefeitura agiu sem justificativa legal.”, disse a diretora do Sinte.

Denúncias

O sindicato ainda apresentou uma série de denúncias que provam que os descontos nos salários foram feitos de forma aleatória e com a intenção de punir a categoria pela greve. Diretores do Sinte e servidores da educação denunciaram a existência de descontos nos salários de professores que repuseram corretamente suas aulas. Afirmaram que houve também corte nos salários de servidores que não foram trabalhar porque a Prefeitura não disponibilizou transporte, como foi o caso da zona rural. “Até descontos no terço de férias de professores foram feitos, o que não tem justificativa.”, reclamou uma professora.

As denúncias criaram um constrangimento entre o prefeito Peixoto, que disse desconhecer os fatos, e a Secretária Ângela Aquino, que afirmou não ter dado nenhuma orientação aos gestores das escolas para que fizessem descontos aleatórios. Diante do impasse, o prefeito pediu que o Sinte entregasse um relatório com todas as provas de descontos injustos para comparar com os argumentos da Secretária. A Prefeitura dará um parecer sobre o caso no dia 8 de abril, quando haverá nova audiência.

Confira o resultado dos outros pontos da pauta

- Salários menores dos novos concursados: os profissionais da educação recém-chamados pelo município estão recebendo um salário-base menor do que os demais servidores em início de carreira. Sobre o assunto, o prefeito afirmou que iria conferir com o setor financeiro, responsável pelo fechamento da folha de pagamento, a existência dessas distorções salariais.

- Carga horária diferente: servidores que antes trabalhavam 6 horas corridas agora estão trabalhando 8 horas com intervalo para almoço, como é o caso dos auxiliares de sala. O prefeito argumentou que estava agindo dentro da lei, já que esses trabalhadores fizeram concurso para 40 horas semanais. Entretanto, o prefeito não aplica o mesmo rigor da lei quando se trata de garantir os direitos da população, a exemplo da irregularidade da merenda escolar.

- Reajuste do piso nacional: em janeiro houve um reajuste de 15,8% no piso nacional dos professores. Em Ceará-Mirim, a Prefeitura ainda não repassou o aumento. Sobre isso, o prefeito Peixoto afirmou que vai estudar as contas do município para avaliar a possibilidade de aplicar o reajuste. Nesse caso, mais uma vez o rigor da lei para Peixoto não vale quando o assunto é beneficiar os trabalhadores.

- Promoções: em janeiro, o sindicato enviou ofício cobrando as correções no Plano de Cargos e as atualizações das promoções dos servidores, mas não obteve resposta da Prefeitura. Perguntado sobre a situação, o prefeito Antônio Peixoto disse não saber o porquê de ainda não ter havido atualização. Garantiu que iria checar o problema.

- Prestação de contas dos recursos do FUNDEB de 2010: a Prefeitura disse estar concluindo a prestação de contas e que não haveria problemas em divulgar.

1º de Abril

NO DIA DA MENTIRA, TRABALHADORES DA SAÚDE E DA EDUCAÇÃO VÃO PROTESTAR CONTRA PREFEITO JAIME CALADO

O dia 1º de abril é o dia de lutar contras as mentiras do prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado (PR).

O prefeito diz que os professores tiveram 35% de reajuste salarial, que as escolas foram reformadas e que a merenda é de boa qualidade. Tudo mentira. As escolas continuam caindo aos pedaços, sem carteiras e com rachaduras. Numa escola, inclusive, o Promotor de Justiça encontrou merenda vencida.

Na saúde, os agentes não recebem o salário-base de R$ 714,00, possuem uma gratificação menor do que a dos demais servidores e ainda sofrem com o assédio moral. A população continua recebendo uma saúde pública sem qualidade, onde a Prefeitura sempre dificulta o atendimento.

Além disso, os trabalhadores estão perdendo direitos e sendo perseguidos pela Prefeitura. O abandono dos serviços públicos também está piorando a vida população. Se tem alguém feliz em São Gonçalo, com certeza não são os servidores nem o povo.

Por isso, os sindicatos da saúde e da educação convidam todos os trabalhadores para participarem deste protesto, no dia 1º de abril, sexta-feira, às 8 horas, na praça Dinarte Mariz, no centro de São Gonçalo. Vamos todos lutar contra as mentiras do prefeito Jaime Calado!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Corrupção

STF dá sinal verde aos “fichas-suja”

Embora encontre respaldo no rechaço da população aos políticos, lei não impede corrupção e pode ser usada para criminalizar movimentos sociais

O julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a lei de iniciativa popular do “Ficha Limpa” foi um balde de água fria para aqueles que achavam possível a moralização da política. Em uma votação apertada, por 6 a 5, o STF decidiu que a lei não valeu para 2010.

A decisão vai alterar a composição do Congresso Nacional e das assembleias legislativas nos estados. Com a lei invalidada pelo tribunal, políticos condenados que concorreram nas últimas eleições e foram impedidos de assumir, devem agora tomar seus lugares no parlamento. O caso mais emblemático é o da senadora Marino Brito (PSOL), do Pará, que deve ceder seu lugar a Jader Barbalho (PMDB).

Decisão judicial

A maioria do STF concluiu que o Ficha Limpa, ao ser aprovada em 2010, não poderia influir nas eleições do mesmo ano. A decisão contraria o Supremo Tribunal Eleitoral, que validou a lei no ano passado. No mesmo ano o próprio STF começou a votar a lei, mas diante de um impasse na votação, resolveu esperar a nomeação do novo ministro que substituiria Eros Grau, que acabava de se aposentar.

E não deu outra. O ministro nomeado por Dilma, Luiz Fux, não decepcionou e, diante de uma votação empatada, bateu o martelo em favor dos políticos corruptos. Contando com Jader, três senadores barrados pela lei devem assumir. Na Câmara dos Deputados, 29 políticos aguardam decisão da Justiça.

Fux, aliás, parece ter mudado de opinião sobre a lei. A senadora do PSOL que vai deixar seu lugar para Jader Barbalho, relembrou que a posição do atual ministro era outra, quando foi sabatinado pelo Senado. Segundo ela, ele teria dito que “a Justiça não pode ficar de costas para a intencionalidade da lei”.

A verdade é que, apesar de toda a argumentação técnica e jurídica dos ministros do STF, o julgamento do STF é político. Como “argumentou” o ministro Gilmar Mendes, conhecido por proferir sentenças favoráveis ao banqueiro Daniel Dantas, “é preciso ter cuidado com esse interesse, o sentimento popular”.

Lei pode nem valer para 2012

O STF decidiu que o Ficha Limpa não poderia valer para as eleições realizadas em 2010. Subtendia-se, assim, que entraria em vigor já em 2012. Mas nem isso está garantido. Após a decisão do STF ganharam força setores que defendem a rejeição por completo da lei. Isso se daria através da contestação de ponto por ponto. Como atestou o ministro Ricardo Lewandowski, a lei do Ficha Limpa vai ser “fatiada como salame”.

Desta forma, já se contesta, por exemplo, a lei sob o aspecto da “presunção da inocência”. Mesmo que o Ficha Limpa só afete quem é condenado em segunda instância pela Justiça.

Ficha Limpa não acaba com a corrupção

A decisão de Fux mostra como o Judiciário funciona como braço jurídico de interesses de corruptos e poderosos. Não pode esconder, porém, a ineficiência do Ficha Limpa, caso fosse plenamente implementada.

O Projeto de Lei Popular 518/09 foi apresentado no Congresso com 1,9 milhão de assinaturas. Idealizada após inúmeros casos de corrupção, a lei causou certa comoção popular, amparando-se no cansaço da população após tantos escândalos protagonizados em Brasília. Nisso, até mesmo parte da esquerda chega a defender o projeto, como meio de se moralizar a política.

O problema é que o Ficha Limpa não garante o fim da corrupção. No máximo, causa alguns constrangimentos legais a um ou outro político, mas plenamente contornáveis na Justiça. Basta ver, além de Jader Barbalho que retorna ao Senado, o próprio Paulo Maluf (PP-SP), um ícone da corrupção no país. Além de ser novamente deputado, ele faz parte da comissão responsável pela Reforma Política, medida que ameaça tornar ainda mais antidemocrática a legislação eleitoral.

Além disso, o Ficha Limpa pode ser utilizado para criminalizar movimentos sociais, impedindo que ativistas injustamente condenados possam se candidatar a cargos públicos. Basta lembrar que o então relator da lei na Câmara, o deputado Índio da Costa (DEM), elencava o “crime” de “invasão de terras” entre os crimes que poderiam barrar algum candidato. Índio da Costa usou o projeto como trampolim político, tornando-se o vice de José Serra na disputa da presidência logo depois.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Um dia a casa cai...

DESCASO COM ESCOLAS PÚBLICAS DE CEARÁ-MIRIM ACABA EM DESMORONAMENTO

O Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinte) de Ceará-Mirim denunciou há meses a situação precária das escolas do município, mas o prefeito Antônio Peixoto preferiu fechar os olhos.

A chuva que caiu na tarde desta quinta-feira (24) em Ceará-Mirim/RN serviu apenas para mostrar a situação de miséria em que se encontram as escolas públicas do município. Por pouco, o Centro Educacional Rural (CERU), na comunidade de Coqueiros, não foi palco de uma tragédia mais do que anunciada. Parte da fachada do prédio, onde existia uma escadaria, desmoronou com as chuvas. A escada que ruiu dava acesso à porta de entrada e saída da unidade de ensino. Segundo informações recebidas, a escola estava funcionando e havia pessoas no local.

Desde o ano passado, o Sinte/RN de Ceará-Mirim vinha denunciando as péssimas condições de estrutura das escolas do município. No caso do CERU de Coqueiros, o sindicato avisou várias vezes à Prefeitura sobre as rachaduras existentes no prédio, assim como em outras unidades de ensino. As fendas na escada foram fotografadas e estavam expostas no blog do Sinte/RN há meses. Mas o prefeito Antônio Peixoto (PR) preferiu fechar os olhos para o problema.

As chuvas desta quinta-feira deram um aviso. As escolas de Ceará-Mirim não possuem condições para funcionar. O Sinte/RN exige que nem a Prefeitura nem o Ministério Público esperem que aconteça no município o mesmo o que aconteceu em São Tomé no último dia 22, quando as paredes de uma escola desabaram sobre os alunos e a professora. Afinal, o episódio do CERU da comunidade de Coqueiros pode se repetir em outros locais. Desta vez, com consequências mais graves. E a chuva não é a culpada.


Greve na educação chegou ao fim, mas problemas não.


A GREVE DOS PROFESSORES MUNICIPAIS DE NATAL TERMINOU, mas o ano letivo ainda não começou para muitos alunos. O motivo é que muitas escolas apresentam problemas que impossibilitam o início das aulas.

Exemplos não faltam. No Centro Municipal de Educação Infantil Maria Ilka, em Nova Descoberta, os alunos continuam sem aula por falta de merenda e de professores. Situação que se repete por toda rede de ensino de Natal.

Os problemas se acumulam com a falta de carteiras, material de expediente e prédios com estrutura física sem condições de abrigar a comunidade escolar. São necessidades que há muito tempo vem sendo denunciadas.

A realidade mostra que não foi a greve dos professores que impediu o início das aulas na rede municipal. Com o fim da greve, a prefeita Micarla de Souza tem a obrigação de responder por que muitos alunos continuam sem aula, quando as escolas deveriam estar preparadas para iniciar o ano letivo.

Os professores estão nas escolas. Agora, falta o poder público assumir a responsabilidade de oferecer condições de trabalho e escola de qualidade para todos. De acordo com o SINTE/RN, “para a rede como um todo – incluindo o ensino fundamental – funcionar plenamente, a Secretaria Municipal de Educação precisa contratar cerca de mil profissionais, entre professores, auxiliares de sala (para a educação infantil) e de serviços gerais”.

O mofo e o abandono tomam conta das escolas e CMEIs (Centros Municipais de Educação Infantil). O CMEI Stela Lopes, em Nova Natal, com mais de 300 crianças matriculadas, não está recebendo verbas porque a direção não conseguiu fazer a renovação dos titulares da Unidade Executora, junto ao 2º Cartório, que acumula débitos da Prefeitura Municipal de Natal. Sem dinheiro não tem merenda nem material de limpeza e higiene. A exemplo de outros, no CMEI Stela Lopes as salas estão sem aula, mesmo com o fim da greve.

Muitas escolas nem iniciaram as aulas, outras funcionam em horário reduzido

Os motivos vão desde a falta de merenda a problemas de infraestrutura, além de déficit de professores. Na Escola Municipal Professor Amadeu Araújo alunos são liberados mais cedo. A diretora Maria Rosilandy Feitosa afirmou que a secretaria autorizou a matrícula excedente de alunos, garantindo que iria resolver a situação. “Agora os pais ficam cobrando uma solução da escola e a secretaria de educação ainda não resolveu esse problema”. Ela afirma ainda que não há professores suficientes para normalizar as aulas.

Toda essa situação revela o desprezo do poder público com a manutenção de serviços essenciais para a população, como educação, saúde, transporte e segurança. Enquanto os filhos dos trabalhadores enfrentam essa triste realidade, os filhos desses governantes que transformam os serviços públicos em sucatas têm planos de saúde, segurança privada, não andam de coletivo e estudam em escolas particulares.


Fonte: CSP - Conlutas/RN

Natal/RN

DESAPROVAÇÃO DA PREFEITA CHEGA A 84%

A pesquisa do Instituto Consult mostra que a administração da prefeita Micarla de Sousa (PV) atingiu um dos maiores índices de desaprovação dos últimos anos em Natal. De acordo com o Consult, 84,5% desaprovam a gestão neste início da segunda metade do mandato. Isto equivale a dizer que oito em cada grupo de dez natalenses estão insatisfeitos com a administração municipal. No caso dos quem têm curso superior esse porcentual é ainda maior: 91,2%.

Na análise feita por regiões administrativas, a rejeição é maior na Zona Sul (88,5%), onde a prefeitura enfrenta problemas com o saneamento e pavimentação de ruas em Capim Macio, bairro de classe média alta de Natal. Na Zona Norte, onde houve uma votação massiva na então candidata do PV, a desaprovação é de 84%. A prefeita Micarla de Sousa disse ontem que a pesquisa é um retrato do momento. Mas o índice cresceu de dezembro para cá. Na pesquisa passada, a desaprovação era de 77,6%.

Fonte: Tribuna do Norte - 25/03/2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

Áudio

Sinte Ceará-Mirim denuncia descaso com a educação pública e perseguição da Prefeitura

Áudio que circula em um carro de som pelas ruas da cidade pode ser ouvido aqui no blog (clique no play).

quarta-feira, 23 de março de 2011

Atenção Trabalhadores!

Deu na Imprensa

Sala de aula desaba sobre crianças em São Tomé

Professora evitou que alunos fossem feridos de maneira mais grave


O terror de ver as paredes e o teto da sala de aula desabarem sobre si vai ficar marcado na memória e mesmo no corpo de dez crianças que estudam no 4º ano "A" da Escola Municipal Euzébio Fernandes Bezerra, em São Tomé, a 100km de Natal. Por volta das 9h de ontem (22), a estrutura da sala cedeu, caindo sobre os estudantes e a professora, Maria de Jesus. Apesar disso, o acidente poderia ter sido mais grave, já que a docente chegou a apoiar uma parede sobre suas costas para que ela não ferisse gravemente seus alunos.

Todas as vítimas tiveram apenas ferimentos leves. A prefeitura pediu ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea/RN) que fizesse uma vistoria no local para avaliar as causas e as responsabilidades pelo acidente. O prédio foi completamente interditado pelo Corpo de Bombeiros.

Dentro da sala estavam 29 crianças, entre oito e 11 anos, além da professora. Ao lado, uma nova sala de aula estava sendo construída. Em uma outra sala vizinha, o pedreiro José Cosme da Silva Filho instalava, juntamente com outro colega, uma grade na janela lateral. Ele diz ter tomado um grande susto quando ouviu as paredes ruírem. "Ao ouvirmos o estrondo, nos desesperamos. Tentamos entrar pela porta da sala, mas não deu. Então demos a volta, pelo lado que desabou e ajudamos a retirar as crianças da sala".

Segundo o pedreiro, a tragédia não foi pior porque a professora segurou, com as costas, parte da parede que estava para cair. As paredes do quadro negro e da lateral também cederam e, com elas, parte do teto apoiado sobre essas estruturas.

Ao todo, dez crianças se feriram com o acidente. Todas foram levadas para o pronto-socorro local, com ajuda de populares e familiares. Quatro delas, juntamente com a professora, precisaram ser transferidas para o hospital da cidade vizinha, São Paulo do Potengi, para serem submetidas a exames de raios-x. Nenhuma delas sofreu qualquer fratura e, depois dos atendimentos médicos, foram liberadas. Já a professora Maria de Jesus ficou sob observação, pois também ficou abalada emocionalmente com o ocorrido.

Fonte: Diário de Natal - 23/03/2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Deu na Imprensa

Risco de falta de água em 55% dos municípios

Segundo estudo da Agência Nacional das Águas, país precisa investir R$ 22,2 bilhões em captação e coleta até 2015


Um dos países com a maior quantidade de água do mundo — dono da maior bacia hidrográfica do planeta —, o Brasil pode enfrentar problemas de abastecimento, segundo diagnóstico inédito da Agência Nacional das Águas (ANA) no Atlas Brasil, documento que será divulgado hoje.

Trata-se de mais um gargalo ao desenvolvimento econômico que vai se formando sem fazer estardalhaço. Se o país não investir R$ 22,2 bilhões nos sistemas de captação e coleta de água até 2015, pode faltar água em 55% dos municípios do país, ou 3.059 do total.

A abundância de água no país — o Brasil detém, hoje, 12% da água doce do planeta — acaba por mascarar uma situação grave que vai se desenhando para o futuro próximo.

Segundo o estudo, os municípios que correm o risco de desabastecimento até o ano de 2015 representam nada menos que 73% da demanda de água do país inteiro. Desse universo, 84% das chamadas sedes urbanas precisam de investimentos para adequar seus sistemas produtores e 16% apresentam déficits decorrentes dos mananciais utilizados.

Fonte: O Globo

Humor

segunda-feira, 21 de março de 2011

Internacional

O que fica da visita de Obama ao Brasil?

Presidente norte-americano sai do país deixando para trás acordos comerciais, promessas de petróleo, humilhações e 13 presos políticos

O presidente norte-americano nem havia deixado o Brasil e, no balanço que a imprensa fazia de sua rápida visita, além da euforia e do exagero, havia também um certo tom de frustração. Obama não deu apoio claro ao Brasil a uma vaga permanente do Conselho de Segurança da ONU, como governo e imprensa esperavam. No comunicado aos jornalistas, ao lado de Dilma, apesar dos elogios, o presidente norte-americano apenas demonstrou “apreço” às vontades do governo brasileiro.

E se os eventos oficiais não chegaram a empolgar a anunciada “visita histórica”, a agenda “turística” foi ainda mais apagada. Resumiram-se às tradicionais apresentações culturais. O discurso público da Cinelândia foi cancelado apenas um dia antes. A delegação alegou questões de segurança, mas houve quem atribuísse a desistência à falta de garantias de público e o temor de protestos entre o público na praça.

O sentido da visita
Obama desceu no Brasil com dois objetivos. O primeiro, e declarado, foi estabelecer acordos comerciais, derrubando tarifas alfandegárias, a chamada TECA, na sigla em inglês. E a razão disso, o próprio norte-americano não escondeu: os EUA estão em crise e precisam aumentar as exportações e o Brasil é um mercado grande e em expansão.


Mas os olhos de Obama estavam voltados mesmo ao pré-sal. “Estamos criando um novo diálogo estratégico sobre energia para garantir que as cúpulas dos nossos governos trabalhem conjuntamente para aproveitar novas oportunidades, em particular, como as novas descobertas de petróleo no Brasil”, discursou no Planalto. Com a instabilidade política no Oriente Médio, os EUA enxergam no Brasil uma oportunidade de ouro para extorquir o petróleo. Além da estabilidade, o governo norte-americano encontra aqui uma completa obediência aos seus interesses.

Obediência cujos exemplos foram numerosos em tão rápida visita. Como na revista dos ministros de Dilma na entrada do pronunciamento de Obama aos empresários. Os ministros Guido Mantega (Fazenda), Edson Lobão (Minas e Energia), Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento) foram revistados por seguranças norte-americanos em seu próprio país. A situação lembrou o vexame do então chanceler Celso Lafer, no governo FHC, obrigado a tirar os sapatos para entrar nos EUA.

Apesar do discurso de igualdade, nem na aparência, o governo brasileiro conseguiu esconder seu papel subordinado.

Bombas entre um brinde e outro
O outro objetivo de Obama foi midiático. O presidente tentou reforçar sua imagem popular e amigável, fazendo crer que nada tinha a ver com Bush e seus antecessores. E contou com a generosa ajuda da imprensa brasileira, que fez uma cobertura amplamente favorável ao norte-americano. O fato de Obama ser negro foi tomado como elemento de identificação com os brasileiros.


Os fatos, porém, mostram que por trás do sorriso de Barack, esconde-se o velho imperialismo dos EUA. Uma cena descrita no jornal Folha de São Paulo ilustra muito bem isso. No início da tarde do dia 19, Obama participava de uma recepção oferecida pelo Itamaraty. Na hora do brinde, o presidente foi interrompido por um assessor, que lhe entregou um telefone. Após algumas poucas palavras, o presidente voltou ao seu brinde. Acabava de autorizar o bombardeio aéreo na Líbia.

Já no discurso feito no Theatro Municipal, Obama elogiou a democracia, chegando a lembrar a luta da então guerrilheira Dilma Roussef contra a ditadura no Brasil. Nenhuma palavra foi dita, é claro, sobre o envolvimento dos EUA no golpe militar de 1964. Ou do apoio que prestavam até ontem para as ditaduras amigas do Oriente Médio e do Norte da África, como o próprio Kadafi.

O que essa visita mostrou?

A visita em si não teve grandes novidades e, ao contrário do tom eufórico da imprensa, não contou com manifestações de apoio na sociedade. Mas, por outro lado, revelou muitas coisas. Primeiro, o empenho do governo brasileiro em se mostrar fiel subordinado do imperialismo. O fato de Obama ter ordenado o bombardeio à Líbia de dentro do Itamaraty é simbólico.

Os governos uniram-se para estender o tapete vermelho ao chefe do imperialismo. Até mesmo a Justiça mostrou sua submissão. A prisão dos 13 manifestantes na noite do dia 18, durante um protesto, foi um fato sem precedentes. O argumento do juiz que determinou a manutenção das prisões fala por si só: os detidos representariam “ameaça à ordem pública” enquanto Obama estivesse aqui e poderiam “macular” a imagem do país.

Mas não foi só isso. A ordem expressa do PT e do Planalto aos seus militantes, proibindo manifestações contra Obama, revela o apoio do partido ao imperialismo e desmascara seu papel nos movimentos sociais. Um fato inédito e histórico: uma ordem do Partido dos Trabalhadores para que seus filiados não comparecessem a um ato contra um presidente dos EUA, a um ato contra o imperialismo.

A visita de Obama, assim, mostrou um governo brasileiro ainda mais submisso, empenhado em entregar nosso petróleo ao imperialismo e abrir o mercado aos EUA. Revelou uma Justiça que se mostra capaz de atropelar a Constituição para defender os interesses dos EUA, como se estivéssemos em um Estado de Sítio.

Obama, por fim, se despede do Brasil deixando para trás acordos comerciais e a garantia de petróleo para sua indústria e seus carros. Deixa ainda 13 presos políticos e a certeza de que, infelizmente, para uma parte do movimento sindical brasileiro, o imperialismo deixou de ser um inimigo.