terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO UNIFICARAM LUTA EM ATO PÚBLICO NO DIA 11

Sinte-RN de Ceará-Mirim entra em greve porque Prefeitura não cumpriu promessas



O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Rio Grande do Norte (Sinte-RN) Regional de Ceará-Mirim levou às ruas, junto aos núcleos de Extremoz e São Gonçalo do Amarante, um Ato Público no Gancho de Igapó, Zona Norte de Natal, na manhã dessa terça-feira, dia 11. Os servidores da Educação, professores e funcionários, das redes municipal e estadual, lembraram a greve que se instalou em todo o estado no início do ano letivo, tendo como uma das principais reivindicações o pagamento do piso salarial dos professores, que foi definido pelo Ministério da Educação (MEC) no fim de janeiro em R$ 1.697,37, mas que não vem sendo cumprido.

O trajeto percorrido foi o da Avenida Tomaz Landim em direção a ponte de Igapó, ocupando apenas uma das faixas. O microfone do carro de som esteve aberto todo o tempo para que qualquer manifestante pudesse expressar sua indignação quanto à situação de calamidade que se encontra a Educação no Rio Grande do Norte. O diretor do Sinte de Ceará-Mirim, José Roberto, lembrou o sucateamento das escolas e os efeitos nos servidores. “As escolas de Ceará-Mirim não têm estrutura para funcionar e isso afeta a todos, sejam professores ou estudantes. Enquanto isso, os nossos direitos são negados”, afirmou.

Durante a caminhada, outro carro de som surgiu na avenida para desarticular o movimento, que seguia unido. Anunciando mentiras sobre a situação da Educação em São Gonçalo do Amarante, com o propósito de tornar os professores, funcionários e estudantes, que apoiavam a greve, inimigos do povo, a locução gravada falava sobre a boa estrutura e a merenda das escolas. Porém os trabalhadores da Educação, de diferentes grupos, estavam hoje mais que nunca unificados e permaneceram unidos e combatentes. Fazendo alusão ao prefeito Jaime Calado (PR), que agiu contra ao direito de livre expressão dos servidores, a palavra de ordem foi para que o carro de som passasse “Calado”. A marcha seguiu chamando atenção da população, que por vezes também expressou seu apoio aos companheiros.

Também da direção do Sinte-RN de Ceará-Mirim, o professor José Farias usou o microfone para lembrar que o papel de todos os companheiros é denunciar. “Os prefeitos de Ceará-Mirim, Extremoz e São Gonçalo do Amarante têm seus meios de se organizar para nos desarticular, mas nós também temos nossas organizações e repudiamos qualquer tipo de injustiça. Nosso espaço é a rua, porque se existe irresponsabilidade, vem das prefeituras e não de nós trabalhadores”, criticou o professor.

Ao fim do Ato, a diretora do Sinte-RN de Ceará-Mirim, Ana Célia Siqueira, fez questão de parabenizar a união dos Núcleos e dos grupos organizados. “Esse movimento está unificado através dos trabalhadores em Educação e o fato de estarmos juntos na rua retrata isso”. A professora também deixou uma “Tarefa de casa aos companheiros”, para que a luta não seja desarticulada. “Temos que manter o movimento unificado. Os governantes fazem de tudo para calar a nossa voz, o carro de som que nos provocou hoje mostra que estamos incomodando. Mas esse não é o único meio de repressão, pois as vezes até a polícia é envolvida”, lembrou Ana Célia.

Além do Sinte de Ceará-Mirim e Núcleos de Extremoz e São Gonçalo do Amarante, outras entidades estiveram presentes para dar força ao movimento, como a Central Sindical Popular (CSP-Conlutas), o Partido Operário Revolucionário (POR), a Associação Nacional dos Estudantes Livres (Anel), a Corrente Proletária na Educação, a Corrente Proletária Estudantil, a vereadora por Natal Amanda Gurgel (PSTU), o Sindicato dos Servidores da Saúde (Sindsaúde-RN) e o Sinte Estadual.

Sinte-RN de Ceará-Mirim decide aderir à greve



Dentre as cobranças feitas pelos servidores estão as questões de estrutura e materiais, como os refeitórios em Ceará-Mirim, onde só algumas escolas receberam reforma. O fardamento, que deveria ser gratuito e que foi prometido para alunos desde o ensino infantil até aos que cursam o 5º ano, mas que ainda não foram fornecidos. A falta de quadras esportivas, o fechamento das salas multifuncionais e de leitura e a necessidade de mais transportes escolares também são queixas frequentes.

E toda essa falta de condições básicas está fazendo com que alunos não tenham merenda adequada; por fim, as escolas se encontram hoje superlotadas. Essas cobranças provam que os servidores da Educação estão sim preocupados com uma educação digna e com o devido respeito às crianças e adolescentes, pois são essas condições mínimas que dão base a uma educação pública de qualidade.

Já sobre o trabalhador em Educação, também foi lembrada a promessa feita pelo prefeito Antônio Peixoto (PR) de realizar concurso público para a área de Educação no município e que, assim como tantas outras, também não foi cumprida. Dentre outros descumprimentos estão o reajuste salarial para professores de nível superior, o pagamento de 1/6 das férias, o reajuste do piso para o ano de 2014, que grande parte dos professores não recebeu e que a Prefeitura de Ceará-Mirim não deu nenhuma explicação. Tudo isso sem contar com a falta do adicional de insalubridade aos profissionais de Auxilio de Serviços Gerais (ASG) e merendeiros.

E apenas o fato de os servidores estarem denunciando e se organizando em reuniões e atos públicos está provocando uma onda de intimidação por parte da Secretaria de Educação de Ceará-Mirim. Os professores sofrem repressão por parte de alguns diretores de escola, que reproduzem os desmandos da Secretaria, para impedir que se cobrem as promessas e os direitos da categoria. E em mais um golpe contra os servidores da Educação, a gestão democrática no município foi eliminada pela Prefeitura, em audiência pública realizada durante o período de férias, quando na verdade os diretores de escolas deveriam ser eleitos por voto direto, entre os próprios trabalhadores em Educação.


Por essas e outras razões, o Sinte-RN de Ceará-Mirim decidiu no dia 7 de fevereiro, em assembleia na Escola Municipal Adele de Oliveira, entrar em greve, que inclusive já havia um indicativo proposto no ano passado. Os servidores da Educação estão cansados com a falta de respeito e com a intimidação desonesta, que inclusive, por parte do Governo Estadual, já recebeu ameaças de corte dos pontos para os trabalhadores e trabalhadores que apenas querem o básico para trabalhar.














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